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O próximo dia 1 será um marco para a melhoria da qualidade do ar que se respira no Brasil. No primeiro dia do ano, a Petrobras passará a oferecer um óleo diesel menos poluente, com 50 partículas de enxofre por milhão (ppm), o S-50. Com isso, o Brasil se junta a EUA e diversos países da Europa, além de Chile e Colômbia, que já utilizam o combustível. E, a partir de 2013, a redução das emissões vai aumentar ainda mais, já que a estatal vai passar a oferecer o diesel 10, que substituirá o S-50. Em 2014, o mercado terá apenas dois tipos de diesel: o S-500 no interior (para motores mais antigos) e o S-10 nas regiões metropolitanas. Os efeitos no meio ambiente não serão sentidos de imediato, porque o S-50 só reduz drasticamente as emissões de enxofre se usado em veículos com motor do tipo Euro 5, que passarão a ser fabricados no país também a partir do dia 1o. O novo combustível pode ser usado em veículos com motores Euro 3, como os já em circulação, mas a redução de emissões nesse caso é de apenas 10% a 15%. “O diesel 50 pode ser utilizado em qualquer veículo, mesmo os fabricados antes de 2012. Obviamente, não terá o mesmo benefício ambiental”, destaca o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O S-50 reduz as emissões de material particulado (enxofre) em 80% e os óxidos nitrosos (NOX) em 98%. Segundo Costa, além do motor Euro 5, o S-50 só dará os resultados esperados de redução das emissões se também for utilizado, em veículos pesados como caminhões e ônibus, um agente específico, em um tanque próprio, no catalisador. O S-50 já é vendido em nove regiões metropolitanas para abastecer as frotas de ônibus do transporte público. A Petrobras começou a oferecê-lo em 2009 para as frotas de ônibus do Rio de Janeiro e de São Paulo. Depois, de forma gradativa, chegou às regiões metropolitanas de Recife, Fortaleza, Belém, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Este ano, chegou à Baixada Santista, Campinas e São José dos Campos. Nas demais regiões metropolitanas, é vendido o diesel S-500. No interior, o S-1.800. Novo combustível O professor José Marcus Godoy, do Departamento de Química do Centro Técnico-Científico da PUC-Rio, afirma que o uso do S-50 nos motores atualmente em circulação (Euro 3) já gera benefícios ao meio ambiente, embora a redução das emissões seja menor. O professor trabalha desde agosto em um projeto — em parceria com Petrobras, USP e Comissão Nacional de Energia Nuclear — para avaliar os impactos positivos da redução de enxofre nos combustíveis. Segundo análises realizadas até o momento, o S-50 nos motores atuais pode reduzir em até 50% as emissões. Mas ele não crê que o consumidor vá optar por seu uso nos motores Euro 3, por custar seis centavos a mais que o outro tipo de diesel, que, no Rio, sai em média a R$ 1,995. “Os estudos ainda não terminaram, mas, com certeza, já houve uma melhoria na qualidade do ar”, diz Godoy. A Petrobras estima que a frota atual de veículos pesados, principalmente caminhões a diesel, é de 2,3 milhões e que, em 2012, devem entrar no mercado cerca de 170 mil veículos fabricados com o Euro 5. Por isso, a estimativa inicial da estatal é que em 2012 a demanda do S-50 seja de cinco bilhões de litros. Já o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, Alísio Vaz, estima que a demanda no primeiro ano será de dois bilhões a três bilhões de litros, contra uma demanda total de diesel de 50 bilhões de litros. Em 2012 O presidente da Petrobras Distribuidora, José de Lima Neto, garantiu que, no mínimo, 900 postos com a bandeira da empresa oferecerão o S-50 a partir de janeiro. A ideia é que os motoristas não precisem rodar mais de 400 quilômetros para encontrar o combustível. Para oferecer o S-50, a BR está investindo R$ 500 milhões.
Fonte: O Globo |
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