Jornal AgroValor
30/04/2012
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Olhar sobre as exportações


A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou, em abril, que a participação brasileira nas exportações mundiais passou de 1,36% em 2010, para 1,44% em 2011. Dados que não passam despercebidos do ufanismo oficial do Governo nos saldos das crises que vêm abatendo o mundo nos últimos anos. Afinal, o país cresce no bolo geral e ainda revela, desde 2003, um desempenho na representatividade internacional.

Embora ocupemos hoje a 22ª posição no ranking dos países exportadores, a euforia observada deve-se ao fato de que, desde 1984, o Brasil não alcançava esse percentual de 1,4% das vendas mundiais. Há, sem dúvida, o reconhecimento da elevação contínua das vendas brasileiras para o mundo, mesmo com as crises vigentes no mercado europeu e norte-americano.
Finalmente o Brasil conseguiu, depois do controle de inflação e o fortalecimento da sua moeda, superar em poucos anos o clássico percentual de 1% do mercado global, hoje caminhando para os 2%.

Mas não podemos esquecer-nos de registrar dois fatores importantes: primeiro, que esse volume de exportação em 2011 da ordem de US$ 256 bilhões – aumento de 26,8% em relação a 2010 – deve-se à alta nos preços das commodities e não a um resultado de competitividade. Avalia-se que, não fosse esse problema de desvalorização de moedas, o Brasil não teria nem a metade desse desempenho médio mundial no ano. Para os estudiosos, não é bom para o Brasil depender somente de preços em crises para manter o seu crescimento nas transações internacionais.

O segundo fator preocupante é a própria colocação do Brasil (22ª), nada confortável, visto a grandeza nacional, pois a China − líder internacional − prossegue ampliando essa diferença com um volume de exportações da ordem de US$ 1,8 trilhão. E as exportações americanas vêm na segunda posição, com US$ 1,4 trilhão, seguidas de perto pela Alemanha. Portanto, vejam a insignificância do potencial brasileiro no bolo dos US$ 18 trilhões em 2011, conforme números apresentados pela OMC. Um grande desafio a percorrer não somente pelo agronegócio, que vem conquistando mercados de commodities, mas consolidar com urgência a diversificação de mercados, a exemplo do que ocorre nos países árabes, africanos e asiáticos, e manter cada vez mais crescente os superávits comerciais, que no momento ocorrem em quase todas as regiões brasileiras.


 

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